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GSC leva neurociência para incentivar novos comportamentos de saúde

set 14 - 2020 0 comentários visualizações

A GSC Integradora de Saúde vem usando a neurociência, disciplina que procura entender como funciona o cérebro, suas diferentes partes e a relação com atividades mentais como percepção, memória, linguagem e a consciência, para a promoção de saúde. O objetivo é compreender a dinâmica e as dificuldades das pessoas se engajarem até mesmo em seus cuidados mais básicos de saúde, dada a complexidade de informações do mundo atual e a necessidade de ressignificar alguns comportamentos. “Hoje a empresa precisa mais do que oferecer serviços, ela tem que facilitar as boas escolhas do cliente para que ele alcance o tão desejado protagonismo em relação a sua saúde”, explica Ana Elisa Siqueira, CEO da GSC, ao falar sobre a aplicação da neurociência na gestão de saúde.

 

Para entender melhor este processo, conversamos com a neurocientista e consultora Carla Tieppo, da Ilumne Consultoria em São Paulo, e autora do livro “Uma viagem pelo cérebro: a vida rápida para entender a neurociência”, que tem ajudado a GSC nesse trabalho. Confira a seguir.

 

Como a neurociência se aplica na gestão de saúde?

Hoje a gestão de saúde é pautada pelo comportamento do paciente, pela tecnologia, acesso e facilidade. A neurociência pode ajudar muito na questão do comportamento, rediscutindo o futuro da jornada do paciente dentro do sistema.

 

Como é esta jornada?

Atualmente é muito difícil para as pessoas tomarem decisões que são importantes para a vida delas, uma vez que o mundo está ficando cada vez mais complexo. As opções são muitas e variadas e as pessoas têm muitas coisas para se engajar. Há inúmeras ações que devemos adotar para sermos longevos, felizes, termos uma vida harmônica e cuidando da saúde mental. E temos dificuldade em optar, por isso ficamos pulando de um programa para outro.

 

Quais os principais entraves para que as pessoas se engajem em programas de saúde?

Há três principais pilares. O primeiro deles é a falta de conhecimento sobre a doença. Muitas vezes temos uma compreensão na sociedade de que a doença é inerente e as pessoas acabam não se responsabilizando a respeito da dinâmica da própria doença. É a clássica “Um pedacinho só de carne no churrasco não vai fazer mal”, apesar da pessoa ter colesterol alto.

Um segundo ponto é a quantidade de apelos de consumo e vida confortável que o mundo atual nos oferece, que eu chamo de “apelo do controle remoto”. Qualquer coisa para se engajar em favor da minha saúde exige que eu levante do sofá, que eu tenha atitude e protagonismo.

E o terceiro aspecto diz respeito ao fato de que os resultados de saúde são sempre de médio e longo prazos e as pessoas têm dificuldade de se engajar em projetos com esse timing.

 

Como driblar esses entraves?

A partir de estudos da neurociência e do comportamento das pessoas em relação à saúde, o trabalho da GSC busca atuar como um facilitador de tomada de decisões na promoção de saúde. A empresa já tem inserido jornadas emocionais em suas campanhas e narrativas de comunicação com o cliente. E tem trabalhado para criar estímulos com resultados de médio prazo, com gameficação e modelos de coaching para promover o engajamento em tarefas que podem trazer resultados positivos para a saúde e para a sustentabilidade da vida delas como um todo.

 

Qual o gatilho para que as pessoas adotem um novo comportamento em relação à saúde?

Precisamos mobilizar as pessoas do ponto de vista emocional para que elas percebam a necessidade de adotar um novo comportamento para a resolução de um problema. O uso de jornadas emocionais é uma forma de acelerar esse processo e alcançar um maior engajamento.

A Europa tem aplicado bons exemplos de jornadas emocionais em várias áreas, com a estruturação de nudges (estímulos comunicacionais), pequenas mudanças na forma como as opções de uma determinada escolha são apresentadas a um grupo e que ajudam as pessoas a tomar boas atitudes. Na Holanda, por exemplo, uma iniciativa foi direcionada aos torcedores de futebol fumantes, convidando-os a votar no melhor jogador de futebol jogando bitucas de cigarro no recipiente com o nome de seu jogador preferido. É uma forma diferente de inibir trabalhando o lado emocional.

Em 2017 o economista Richard Thaler ganhou o Prêmio Nobel da Economia por suas contribuições na área de economia comportamental e estruturação de nudges.

Precisamos agora implementar essas jornadas emocionais nas empresas de saúde.

 

Qual o desafio da neurociência para o futuro?

Sair do mundo acadêmico e chegar a um maior número de empresas. A neurociência pode ajudá-las a conversar mais com a emocionalidade dos clientes e menos com a racionalidade. Para que o indivíduo modifique seu comportamento a partir de uma reconstrução de seus valores e de uma ressignificação de algumas crenças limitantes. A neurociência pode ajudar a compreender o impacto que a emoção tem em todas as dinâmicas de comportamento.

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